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Diarinho
Sexta-feira 13 (2)
27 de March de 2015 - 16:02


Meias palavras com a moça da vida toda, esbocei menos dor física dentre outros tipos de dores e preocupações.

Ao contrário da outra sexta 13 ela não me ofereceu doces, ao contrário do meu silêncio dividi minha rotina. Não agradeci, mas estava tão agradecida por tudo e ela sabia, isso que importava.

Depois fui eu a aparecer na janela, dessa vez sem preocupação. Não houve fila de nada além de uma chuvinha boba e foi antes da meia-noite, no meio das coisas de sempre, que ouvi inesperadamente o que sempre quis e vou querer. E que toda vez seja assim, verdadeiro.

E que venha novembro, outra sexta 13 para guardar pra sempre.

Escrito por Claudia Dias
(1) Café
Categoria: Diarinho
Aleatório
Cartas imaginárias: Sra. Fulana de tal
03 de March de 2015 - 09:32

Sabia que no dia em que eu não conseguisse lembrar seu nome bizarro eu estaria livre de alguns tumores, não todos, mas alguns.

Durante anos em momentos aleatórios eu forçava a cabeça para lembrar seu nome e depois de vários minutos eu conseguia lembrar, mas ai chegou 2015 e no meio dessas brechas tediosas e vazias do dia eu lembrei de você, tentei lembrar seu nome e não consegui. Forcei mesmo a cabeça e fiquei formando sílabas estranhas na minha mente para ver se o seu nome aparecia feito feitiço fonético, mas não aconteceu. Ao mesmo tempo que eu tentava e me frustrava por não lembrar de um simples nome eu ainda me sentia feliz e empolgada por esse feito, às vezes esquecer coisas tem seu valor.

Eu te esqueci, quer dizer, esqueci o seu nome e se um dia alguém perguntar por você eu vou poder dizer que nem lembro o seu nome. É uma conquista esdrúxula, mas com seu valor.

A história já não é real e não fosse poucas lembranças eu não te reconheceria nem se o tempo tivesse congelado e ele não congelou.

Em 2012 estava dentro de um voo e tenho a certeza que vi a sua versão perua, usava até lápis nos olhos em um voo de Miami, eu ri sozinha durante o voo. Ria pela possibilidade, coincidência, sarcasmo divino ou sei lá o que, me senti em um seriado qualquer e naquelas cenas que a gente pensa “só acontece na TV”.

A dona de casa perfeita que levava comida na boca do marido bêbado com todo orgulho, ele que achava que estar bêbado com meio litro de Red Label era virtude, elegância, charme e ainda dava direito de bancar coisas que me censuro não escrever aqui nesta carta, para não te magoar, mesmo que por várias vezes eu tenha me sentido magoada por você ou por ele ou ainda por eles, todos eles.

Sempre achei que por morarmos em uma cidade onde todos parecem fazer as mesmas coisas, nos cruzaríamos na feira, fila de mercado ou qualquer lugar comum, afinal são muitos anos e até com o Henri Cristo eu já esbarrei por ai. Se bem que Miami virou a nova Caldas Novas para os Candangos, então faz sentido sim, seus filhos estão criados, ver o Mickey Mouse e gastar seus trocados com perfume importado e garrafas de Whisky faz mesmo todo sentido.

Era você, não era? Uma camisa comprida de tecido bom, maquiagem, relógio, cabelo arrumado e pintado. Eu duvidaria que era você e só acredito pois o senhor ao seu lado pedia um Red Label para a comissária e ele era assustadoramente parecido com o Carlos, só que mais envelhecido e sóbrio (leia-se mal humorado) e foi exatamente nessa hora que eu comecei a rir e pensei aqui dentro “Deus, qual é a sua brother?”

Achei sua versão perua mais cômica do que a versão de boa moça por trás de um avental e um sotaque mineiro. Acho engraçado quando as pessoas se fantasiam.

De você só sinto falta do fricassê de frango.

Escrito por Claudia Dias
Café?
Categoria: Aleatório
Diarinho
Sexta-feira 13
26 de February de 2015 - 12:48

Uma hora de sono só para sair correndo ao compromisso de levar espetadas do então monossilábico senhor de jaleco branco.
Na volta um tédio e um silêncio muito incômodo com quem é de casa, ela falava e eu fingia prestar atenção, mas pensava mil coisas diferentes e ao mesmo tempo dispensava ofertas de doces reconfortantes. Acho que oferecer açúcar a pessoas preocupadas, nervosas ou tristes é de família.

Pensava nas repetições que me ocorriam com pessoas tão absurdamente diferentes. Pensava em passar o dia inteiro deitada e remoendo acontecimentos dos últimos 8 janeiros e fevereiros da minha vida procurando razão. Temia os próximos 8 janeiros e fevereiros dali em diante. Pensava em como ajudar sabendo que não poderia, como nunca pude.

Eu acordei depois de não dormir com a plena sensação de nunca mais e foi antes do desespero que minha janela recebeu a parte boa desse dia estranho, felizmente, só para contrariar todos os sentimentos de todas as longas horas anteriores. Uma paz meio que reinou e até a fila do mercado me pareceu perfeita para ser feliz…

E o resto da história? Sorte… boa sorte na minha busca…

=)

Escrito por Claudia Dias
Café?
Categoria: Diarinho
Música
Declarações ao vento Nº 1
09 de February de 2015 - 23:43

“Sou do tipo que devolve livros teclado e mouse
E espera por mais de uma hora um ano
Sabendo que você não vem…

Tipo que você nem olha
Tipo que ainda tem memória
Sinto muito sua falta
Não ficar junto me dissolve um pouco mais”

Escrito por Claudia Dias
Café?
Categoria: Música
Diarinho
Sintomas de saudade
29 de January de 2015 - 14:13

vazio

Pessoas completamente desconhecidas e diferentes fizeram a mesma pergunta nesse tempo: “saudade da lembrança ou da pessoa?”
Quando perguntavam eu não sabia dizer, ensaiava uma resposta, mas nunca era aquela coisa certa e racional.

Saudade da lembrança corta qualquer tipo de defeito, desses que todos temos ou desses específicos e únicos. As lembranças são perfeitas quando se trata de saudade, o sorriso, aquela pintinha espalhada em outras várias, mas que se destaca, o cabelo bagunçado que poderia ser julgado por qualquer um, mas você acha o máximo, as rugas no canto do olho que só enfatizam o sorriso escancarado ou o sorriso mais sutil e quase invisível. Saudade tem cheiro e você que nunca identificou bem qual era o perfume que ele estava usando em um dia qualquer, passa a saber todas as notas de todos os dias bons que tiveram. Saudade com lembrança é uma coisa perfeita e por tão perfeita ilusória, tem até trilha sonora dessas de filme romântico e brega. Minha saudade da lembrança me mata, me joga no chão, me pisa e me culpa por ter perdido uma espécie de perfeição escondida e que deixei escapar entre os dedos, feito areia que quanto mais você aperta mais escapa.

Saudade da pessoa é mais realista, por isso hoje se alguém me perguntasse eu responderia “da pessoa”, porque a pessoa ali tem uma série de defeitos e manias que poderiam desencantar qualquer outra, mas não a você. Aqueles defeitos tão únicos e inéditos na sua vida te conquistam quase que sem querer, o mau humor, a cara amarrada, um gesto besta e sem hora. Esses mesmos defeitos misturados ali com aquelas lembranças perfeitas tornam tudo mais real, mais palpável e possível. E eu ainda prefiro ele do que qualquer personagem que minha mente ou a ilusão possam criar…

Então é isso, saudade da pessoa.

Escrito por Claudia Dias
(1) Café
Categoria: Diarinho
Aleatório
Ironias e dois pontos
23 de January de 2015 - 16:23

No dia que o resultado da famigerada e agora perpetua prova saiu, teve uma crise de ansiedade. Queria gritar ao mundo que foram só aqueles dois pontos (1 questão) que a fizeram menor. Pior, queria dizer a tantos que por falta de uma declaração de cor, a qual não acha correto usar indiscriminadamente, não estava ali entre os futuros convocados. Dois pontos ou uma declaração que separaram realidade e alucinação.

Alucinação essa que decairia por pontos de uma prova qualquer ou por qualquer outro julgamento milimetricamente medido e posteriormente desmedido.

Era a famigerada prova ou qualquer outro motivo.

E o que a prova comprovou é que o desdém nos prega peças absurdas como desculpas absurdas para atitudes absurdas, quando desdém é apenas desdém.

Engoliu os dois pontos ou a tal declaração como uma dose de possibilidades, talvez como aprendizado, não pelo empreguinho público que financeiramente era até menos interessante que sua situação atual, mas pela tal vingança que declararam como meta de vida, declaração embaralhada entre palavras baixas e bem informais.

E sim, ela lembra que meses antes tentou apoia-lo por conta de 1 ponto a qual ele teria perdido uma dessas grandes possibilidades do novo sonho americano candango.

E dentro desse amaranhado confuso de viver o sonho e metas de outro alguém começou a repensar suas verdadeiras metas e sonhos.

Era a primeira prova na sua “área” e que de acordo com grandiosos peritos em coisa alguma, não havia estudado, por pura preguiça e falta de ambição. Como se 1 mês se equiparasse ao acumulo de anos de experiência, na cabeça dele ela deveria ser 1º lugar em tudo, incluindo em viver os sonhos de outro alguém.

Sem ambição.
Ela que 14 meses atrás gerenciava 3 empregos durante suas 24h e pensava ter o direito de dar uma pausa quando bem entendesse.

Ironias… apenas ironias.

Escrito por Claudia Dias
(1) Café
Categoria: Aleatório
Diarinho
Chapéu Panamá
17 de January de 2015 - 12:02

Só oito dias e como não queria passar pelos mesmos dramas de quando tinha 25 anos, aceitou um convite inesperado para uma volta, só para não ficar o domingo em casa se entupindo de todos os chocolates que não comeu nos últimos tantos meses.

No encontro, que se acontecesse um ano antes teria desmaiado de tanta felicidade, só ficou uma sequência de histórias atrapalhadas por seus lapsos de memória, tinha também dois ou três goles de uma cerveja morna, uma paisagem simples e desejada nos últimos meses e no meio das pessoas um vislumbre do garoto de chapéu panamá, que havia conversado no dia do seu aniversário às 8 horas da manhã e que nunca mais haviam se falado.

Primeiro foi só uma hipótese, mas era ele.
Quando ele percebeu o olhar curioso devolveu um olhar curioso, na mesma temperatura. Era ele. Ela sorriu e se esquivou como toda pessoa tímida, mas por dentro além do espanto da coincidência também estava contente e repetindo pra si: é ele!

Voltou as suas histórias pouco interessantes com sua companhia, sentaram em baixo de uma obra dedicada a Eduardo & Mônica, no parque da cidade, conversaram por horas.

Estava feliz por ter saído de casa.

Escrito por Claudia Dias
Café?
Categoria: Diarinho
Diarinho
Cadeira Chippendale
13 de January de 2015 - 22:19

Acordou cedo para buscar a tão esperada cadeira de madeira estilo chippendale. Por conhecer pouco o bairro e não gostar muito de parafernálias tecnológicas nem pensou em GPS ou algo do tipo, gostava de encontrar endereços da forma antiga. No caminho um monte de paisagens desconhecidas e vistas inusitadas da cidade que nasceu. Lembrou do Arthur, quando subitamente apareceu um local que conheceram em 2004, local que ele chamava de floresta da Bruxa de Blair, sorriu.

O endereço nunca chegava e quando percebeu fazer o pior dos caminhos já não era inteligente voltar, continuou. Quando estava prestes a chegar recebe uma ligação cancelando a venda. Xingou como nunca tinha feito antes, xingou como se o cara alí ao telefone fosse um outro cara e pra ela era.

Voltou pelo caminho longo para rever as paisagens, chorou por uns minutos e não era pela cadeira.

Escrito por Claudia Dias
Café?
Categoria: Diarinho